7/28/2003

Você já ouviu Neutral Milk Hotel? Corra atrás. A banda é uma das melhores coisas que surgiram nos Estados Unidos nos últimos anos. Mas a banda não é nova e está parada há alguns anos. Tô comentando por dois motivos. Primeiro voltei a ouvir repetidamente um de meus álbuns preferidos de todos os tempos: "In the Aeroplane Over the Sea", um clássico alternativo. A banda é praticamente Jeff Mangum, um pirado que canta com o coração na goela e faz letras quilométricas e lindas. Canta de fantasmas, Jesus Cristo e histórias de famílias. O som é folk e rock com psicodelia contida. Os instrumentos vão de guitarra, bateria, orgão passando por trombones, trompetes, banjo, acordeon, gaitas e instrumentos estranhos, como zanzithophone. Imagine uma daquelas bandas de fanfarra tradicionais em desfiles nos Estados Unidos tocando em cima de uma base folk-rock e com um cara botando emoção na voz como poucos conseguem. O disco é fantástico do início ao fim.
O triste é que dizem Jeff Mangum não quis saber mais de música e foi morar na Espanha, deixando o NMH para trás (o grupo aliás conta com a participação de integrantes de outros grupos do "conglomerado" Elephant 6, como o Olivia Tremor Control, Apples in Stereo, entre outros). O outro fato que obriga que eu comente sobre a banda é que eu recebi a notícia que a banda vai gravar um disco novo. Ou seja, o rock que anda bem com guitarras sujas, vai ganhar mais poesia e a melhor voz da música nos dias de hoje vai voltar à ativa. Tomara que seja verdade. Promessa de mais um clássico.

7/25/2003

Extermínio - de Danny Boyle
A história de "Extermínio" (28 Days Later) pode não ser original, mas o resultado é um grande filme. Lembro que quando li pela primeira vez a sinopse do filme logo me veio a cabeça o livro "Blecaute", de Marcelo Rubens Paiva, onde um grupo ao sair de uma caverna se depara com o mundo vazio, totalmente parado. A premissa não é inédita, muita gente já usou no próprio cinema. Em "Extermínio", o diretor Danny Boyle (aquele mesmo que fez "Cova Rasa", "Trainspotting", "Por uma Vida Menos Ordinária" e "A Praia") opta por utilizar câmera digital o que de cara já dá um tom de fim de mundo. Sim, essa é a tônica do filme quando Jim (Cillian Murphy) sai do coma e vê Londres abandonada, sem uma alma. De cara, ele toma pequenas atitudes completamente desintonizadas com a realidade em sua volta. Juntar o dinheiro que encontra pela rua, por exemplo. O longa é justamente sobre a situação de homens numa situação extrema de extermínio de sua raça. Tudo acontece com um vírus transmitido aos homens que os tornam uma espécie de zumbis. Graças a isso, muitos têm considerado o filme, como uma obra de terror. Eu discordo. Boyle não busca assombrar o público com monstros, apesar deles estarem ali. É muito mais uma ficção científica, que busca revelar as decisões que sobreviventes da raça humana tomam em uma situação desesperadora, meio apocalíptica. A desesperança, os valores, a falta de governo, o conflito entre os sobreviventes. Boyle "brinca" com o que talvez sejam as verdadeiras características do homem, que aparecem em ocasiões extremas. O final é conciliador demais, talvez uma concessão do diretor. Mas há uma opção, depois dos créditos surge um final alternativo (eu não sabia quando vi o filme e perdi). Um outro destaque do filme é a trilha-sonora, inclusive com uma brincadeira com o Grandaddy. Pelo menos eu vi assim, já que a banda tem semelhanças com o Radiohead e a música aparece no filme numa sequência dentro de um supermercado, lembrando um célebre clipe do... Radiohead. É aquela coisa, veja o filme e baixe a trilha na internet.

7/22/2003

Julho em Salvador
Começou sábado passado o projeto Julho em Salvador, uma das boas alternativas da cidade nesse inverno frio. Este ano o evento está menor e um pouco mais fraco. Dei um pulo lá no domingo, Quadrilátero meio vazio para ver Brinde e Maria Scombona, de Aracaju. Brinde fez mais um show correto, agroa com cover de "Luka", de Suzanne Vega. A banda sergipana me impressionou. Quem não gosta do que já chama pejorativamente de rock taboca vire a cara. É rock, blues, muito groove e música nordestina. O vocalista e líder do grupo Henrique Teles tem uma presença de palco das melhores. Bom show, divertido e dançante. Boa banda. Que venham agora Comadre Florzinha e Cascabulho.

7/19/2003

Dia histórico
O Los Hermanos é aquele tipo de banda que todo mundo que gosta quer ter um pouco mais de carinho que o outro, como se fosse uma coisa só sua. Pra mim é inevitável lembrar que conheci a banda ainda quando lançaram demos em K7. Acho as duas demos fabulosas e quase trago a banda pra tocar aqui em 99 no Summerbabe, mas ainda eram desconhecidos demais e não ia dar pra cobrir os gastos. É inevitável falar disso porque quando eu vejo um show como o que rolou sexta passada aqui em Salvador a minha sensação é de satisfação. Assisti o show todo rindo feito um bobo, talvez a mesma sensação que eles sintam, de conseguir realizar algo positivo e ver ali o resultado concretizado. Sensação de que as coisas podem dar certo, que apesar da falta de grana, do esquemão das gravadoras, da mídia cega e burra, das rádios jabazeiras, do público preguiçoso, ainda pode dar certo. Foi emocionante ver o público de Salvador lotar as dependências de uma casa tipicamente voltada para o pagode. Ver gente da velha e nova geração do rock, gente que nunca sai de casa, gente interessada em boa música e em boa diversão. Muita gente comentou que se surpreendeu com o número de pessoas no show, cerca de DUAS MIL. Eu esperava aquilo ali, Los Hermanos virou quase uma unanimidade para quem procura música de qualidade. A banda virou meio que uma febre no meio alternativo e todos os nerds da cidade resolveram sair de casa pra curtir a banda.
Pra mim o dia histórico que eu achava que iria ser se confirmou. Acho que a partir de agora dá para mostrar para patrocinadores, donos de casas de show, mídia etc que existe um público rock na cidade, que consome, tem bom gosto e que não aceita qualquer porcaria que é imposto goela abaixo. Que dá para fazer as coisas acontecerem por aqui. Pessoalmente só fiquei um pouco frustado porque não tive muito tempo pra botar som (fui Dj mais uma vez). Deu para rolar umas coisas bacanas e ficar feliz do povo cantar "Creep" em coro. Lindo. A brincando de deus entrou e fez um show bom, no mínimo correto como eles têm feito ultimamente. Mas acho que não era muito o que o público (formado em sua maioria por gente bem nova) curtia. No intervalo resolvi que ou o povo dançava ou ia pedir pra baixar o som. Acabou dando certo e esquentando o clima pro show. Quando o Los Hermanos entrou no palco foi histeria. A banda surpreendeu tocando várias músicas do primeiro disco, "Quem Sabe" (que o público cantou mais alto que a banda), "Pierrot", "Tenha Dó"... e atiçou o público lembrando os tempos que a banda detonava com o misto de hardcore e letras de amor. Mas o ápice foi mesmo quando desfilaram os hits de "O Bloco do eu Sozinho", levando ao êxtase com "Sentimental", "Fingi na Hora Rir", "Todo Carnaval tem Seu Fim", "Retratos para Iaiá" , entre outras. Era nítida a surpresa da banda em ver tanta gente ainda mais quando cantavam as músicas do disco novo. A felicidade dos caras estava visível na troca de olhares e sorrisos em pleno palco. O clima era fantástico e ainda hoje é o comentário de quem foi, com aquela ponta de saudade e vontade que noites inesquecíveis como essa, tão raras em Salvador se repita várias vezes no ano. Viva a boa música!

7/17/2003

De volta a garagem
O Garage Rock já definiu seu formato para este ano. O festival volta mesmo às origens e vai abrir as portas para bandas novas. Até o dia 25, as bandas interessadas devem entregar CD, release e foto na loja Andarilho Urbano (3º Piso – Shop. Iguatemi). 32 bandas serão selecionadas para participar do festival em si, que rola nos dias 9 e 10 de agosto, no Campus da Ucsal Federação. Dez destas serão escolhidas para a gravação de um CD. Ainda não está confirmada a presença de bandas de peso fechando o evento.

Mundo Livre na Bahia
Vá se preparando. Em outubro, os pernambucanos da Mundo Livre S/A voltam a se apresentar em Salvador. A banda traz músicas do novo disco, O Outro Mundo de Manuela Rosário, que tem previsão de lançamento ainda para este mês. Para quem ainda não está sabendo a música O Outro Mundo de Xicão Xukuru, já foi lançada pela internet no site: http://www.manguebit.org.br/mlsa/xicao/. O show em Salvador comemora os dez anos da Festa em Quadrinhos e terá ainda como atração os baianos da Lampirônicos.

7/15/2003

Indicação de rádio bacana na web: www.3wk.com
Já ouviram? Conheço há tempos, mas nunca mais tinha ido.
Vão lá.

Tô usando as pré-estréias de filmes ruins pra ver filmes que tô interessado. Foi assim na pré de As Panteras que me recusei a ver, preferi assistir de novo Matrix: Reload, que serviu para tirar algumas dúvidas, esclarecer pontos que estavam meio sem resposta e ver o trilaer do Revolutions, que não havia visto na primeira vez. Ontem, teve pré de Cruzeiro das Loucas, nem preciso falar que não ia ver isso de forma alguma. Foi-se o tempo que gostava de ir pro cinema ver qualquer coisa, a filtragem (é assim mesmo?) agora é pesada. Acabei indo ver Hulk. É muito bom não ler nada sobr eo filme antes, cada vez mais faço isso. Não sei como a crítica recebeu o filme, alguns amigos amaram, outros nem tanto, uns falaram mal do final. Eu achei excelente Um grande filme de entretenimento. Ang Lee se mostra um diretor de mão cheia. Fez já pelo menos um clássico: "O Tigre e o Dragão". Agora acerta fazendo um filme tipicamente de Hollywood, mas fugindo da fácil fuga para porrada e piadinhas. Não poderia ser diferente, o herói (ou um um anti-herói?) é denso e tem uma mente conturbada. Ang Lee acertou ao deixar as cena de ação para o meio do filme em diante. Acertou mai sainda em utilizar divisões de tela meio que como quadrinhos, ficou esteticamente interessante e combinou com o filme. Ritmo bom, belas imagens e uma história bem contada. E os efeitos fazem só parte do filme, nem chama atenção. Recomendo.

7/13/2003

Existe uma grande farsa em torno de Salvador. A capital baiana está longe de ser a metrópole cultural que andaram vendendo por aí. Salvador é na verdade um grande balneário que no verão recebe milhares de turistas e para eles são realizados eventos e projetos culturais, artísticos e de entretenimento. No restante do ano, os moradores ficam mendigando qualquer evento para sair da vidinha provinciana. Uma cidade com cerca de três milhões de habitantes, com problemas sérios de uma cidade grande, mas sem as qualidades e vantagens de uma metrópole. Não pode ser um lugar perfeito para se morar, como muitos afirmam e o governo local vende. A noite em Salvador deve ser uma das piores das grandes metrópoles do país. Pelo menos para um público que não curte boates de playboy, bares com pagode e barzinhos de casal. Se não há um bom show na cidade - isso inclui o de bandas alternativas no Calypso - não há o que se fazer. Alguns heróis como Big Brother (que prepara um mês de agosto para ninguém reclamar), Rogério com seu Music Box e um ou outro espaço e eventos esporádicos a cidade vive a margem de bons eventos. E não precisa comparar cm São Paulo e Rio de Janeiro, basta uma ida a Brasília ou Recife para você ver opções de lugares bacanas para ir. E não falo de um bar, com mesa, cadeira e cerveja barata, porque isso em qualquer interior tem. Falo de música bacana, circulação de pessoas etc.

7/07/2003

Eu já falei do disco do Los Hermanos? Não, né? Bom, a primeira ouvida muito bom, na segunda do caralho, na terceira fantástico. Comprem logo essa miséria, nem vale a pena copiar, tem que ter as letras pra acompanhar. Discaço. Há tempos não ouvia um disco três vezes seguidas
O que é "De Onde vem a Calma" hit pessoal da semana. Marcelo Camelo e Amarante são nosso Lennon e McCartney. Compõe pra caralho, trazem novidade, são pop. Ainda bem que ainda são amigos. Mas sério, fico pensando, o que será do scaras quando um dia a banda acabar? Provavelmente dois grandes compositores de música brasileira. Quem precisa de medalhão?
Insisto mais uma vez: quem disse que não tem boa música brasileira aí? E olha que tem o novo do Skank muito bom, o novo de Marcelo D2, tem Nação Zumbi, tem Mundo Livre perto de lançar disco, além daquelas coisas semrpe boas de Pernambuco, Cordel do Fogo Encantado, Mestre Ambrósio etc. Tem Wado. Bah! Danem-se os saudosistas dentro de suas redomas.

Você já reparou a quantidade de boas bandas na Bahia?
Por aqui tem de tudo, música pop com guitarras do nível de uma Brinde ou de uma Los Canos (ouvi rapidamente e achei duca). A primeira está em estúdio já finalizando as gravações com André T. A segunda é novíssima e promete se tornar uma daquelas prediletas da casa, lançam cdzinho no início de agosto, com show no Calypso ao lado da própria Brinde e da The Honkers. Essa é outra da nova leva. Rock cru, com influências que passa pelo ska, garage dos anos 60, punk, glam... Os shows são sempre memoráveis e o cdzinho está bem bacana. Por outro caminho tem a Soma, mas calma, cheio de melodias e melancolia, estão cada vez melhores. Tem o surfmusic de primeira da Retrofoguetes, sucesso onde quer que toquem. Nancyta e Os Grazzers é metal, hardcore e rock, rock mesmo, de altíssimo nível. Ah! se o mundo fosse mais justo. E Rewinders? Ramones renascido com pitadas mais pop. Outra novidade é A Grande Abóbora, uma das bem sucedidas experiências locais de mesclar música brasileira não regional com rock. Ótimas composições. Tem aind aos veteranos da brincando de deus que acabam de lançar um excelente single com duas músicas. Associação Mr Harry Haller e O Samba do Patinho Feio , com um som bem experimental e flertando com o progressivo e o post-rock. A promessa da Mutation Lab, que eu não ouvi ainda, mas pelo historico dos integrantes deve ser boa. Tem Gilberto Monte produzindo ummonte ed cois abacana, inclusive a banda Tara Code, que deve lançar CD até o fim do ano. Tem Roney Jorge, melhor cmopositor baiano, que está atrás de baixista pra levar adiante seu novo projeto depois do fim da Saci Tric. Lamentável é mais uma parada, talvez definitiva da Arsene Lupin. Eles lançaram ano passado um dos melhroes discos que já ouvi por aqui e nunca gravara, Kawa Kawa, musicaça. fazer o que?

7/03/2003

Tempão sem postar nada. Tempão sem computador em casa. Tempão mal acessando a internet. E essa mudança no blogger pra piorar tudo. Bom. Nesse tempo rolaram vários shows, vários cds novos, vários filmes, viagem e o escambau. Não vou conseguir lembrar tudo. De cara lembro de um show razoável da Penélope, bons shows da Brinde e da Soma, filmes meia boca, outros muito bons. Como "A Festa Nunca Termina", melhor ainda para quem, como eu, curtiu aqueles sons na época e leu boa parte daquela história nas revistas da época. Happy Mondays é mesmo MUITO BOM e Bez originário de um disco-voador foi sensacional. A piada com o The Smiths e com os músicos de jazz já valiam o filme. Vi também o fantástico "O Homem que Copiava" (vão ver, quem não gostar bom sujeito não é). Admito sai meio apaixonado por Leandra Leal e quase chamo ela pra tomar uma cerveja depois da pré-estréia. Roteiro e direção primorosos, mostrando para quem gosta de filmão o que é fazer um longa simples, bonito, sensível e bem feito pra caramba. o sensacional "A Viagem de Chihiro", uma viagem literal por um mundo fantástico no Japão dos deuses, mitos e lendas. Nesse tempo um São João inesquecível, talvez o melhor que já tive, com forró da melhor qualidade o dia inteiro. Lençois é o canal. Sanfoneiros durante a tarde nas praças e de noite no palco bandas, algumas não tão boas, mas quase sempre com repertório roots. Muito bom. Hits pessoal das festas: "Caia por cima de Mim" e "Estopim da Bomba", além, claro, de "Sequestraram o Tóim". Vi também um show memorável da Honkers, com direito ao hit junino do ano, ele mesmo (de novo) "Sequestraram o Tóim", em versão punk e uma citação ao Kraftwerk, sim, Rodrigo "Sputter" Chagas bêbado "cantando" Boing Boom Shack tem que ser lembrado, até porque acho que nem ele lembra. Massa. Vou tentar voltar as atualizações normais. Dia 18 tem Los Hermanos no Ed Dez e vou estar lá como DJ.